Diel's daydreams

Como eu impor limites quase cegou uma idosa

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Essa história já tem um tempinho, mas como eu recebi atualizações recentemente eu decide trazer aqui.

Bem, tudo começou em junho, no aniversário da minha mãe. Ela não é muito de fazer festa nem nada grande, mas a família estava passando por um momento difícil e ela queria muito se reunir com quem ela podia.

Nisso vem meu tio (um querido) e a mulher dele (não tão querida).

Eu sendo como sou, evitei a festa o quanto pude. Cumprimentei geral, mas comi escondida no meu quarto. Até ai tudo bem, mas óbvio que eu fui para os parabéns, afinal era minha mãe a aniversariante. Tudo lindo, tudo ótimo, como sempre aquelas velas de faísca não acendiam por nada, mas isso é o de praxe.

O problema veio com as fotos, eu não gosto muito. Não são muito fotogênica, sempre saio com sorriso forçado, de um ângulo ruim ou gorda. Mas estava lá, sorrindo, tirando foto com minha mãe e irma atrás do bolo. Só que do nada veio a esposa do meu tio (que eu vi talvez 3 vezes nos últimos 10 anos) se intrometer.

Não é só que ela queria me dar um abraço no meio das fotos. E que ela tentou me abraçar sem pedir.

Por algum motivo pessoas mais velhas tem uma mania chata de tentar me agarrar e depois ficar chateados quando descobrem que tem que pedir permissão para me abraçar.

Foi o que aconteceu, quando ela veio me abraçar eu estava olhando para a câmera, então eu tomei um susto com braços me agarrando. Eu não sou muito abraçativa com estranhos, especialmente com quem não pede antes, então eu tendo a não ser muito receptiva e recuso de cara (com exceção de crianças).

Como ela me assustou e tentou forçar um contato físico enquanto eu estava distraída e ocupada me recusei a abraçar ela. Detalhe importante, isso estava acontecendo na frente de todo mundo. Talvez umas 30 pessoas da nossa família.

Depois disso que achei que tudo tinha ficado bem e voltei para o meu quarto, mas um tempo depois me aparece minha mãe dizendo que a esposa do meu tio estava chorando se sentindo humilhada e que eu ia ter que pedir desculpas. Eu não acho que estava errada, mas se ela pedisse desculpas por tentar me abraçar sem pedir eu também me desculparia.

Só que quando a dita cuja chegou no meu quarto ela estava se debulhando em lágrimas, CULPANDO A >MINHA MÃE< por não dizer a ela que eu não gostava de abraços. Dizendo “eu nunca me senti tão humilhada!” e “Eu nunca mais volto nessa casa!” ou “Por você não me disse que ela não gostava de abraços?”, além de várias outras coisas, ela em nenhum momento parou para pensar que ela estava errada de me agarrar sem me pedir.

Logo, também não me desculpei. Achei muito arrogante da parte dela culpar todo mundo menos a si mesma. Fechei a porta e fiquei na minha.

Nada de grande saiu disso.

Ou foi o que eu pensava.

Esses dias chega minha irmã para me contar que, numa ligação com meu tio, minha mãe percebeu que ele não tinha desligado e que ela conseguia escutar ele falando com a mulher dele.

Nisso a desquerida estava dizendo para meu tio avisar quando minha mãe fosse visitar pois ela não queria ver minha mãe por causa da humilhação. Minha mãe não querendo causar problemas decidiu não visitar tão cedo.

Só que meu tio percebeu que ela estava dando desculpas para não ir e ela teve que confessar que escutou a ligação e que ela não queria causar brigas.

Detalhe impostante, minha mãe e meu tio são (praticamente) os únicos irmãos da família que não estão: a) mortos; b) caducos; então eles querem muito passar tempo juntos e por minha mãe ser mais nova, fica mais fácil pra ela visitar o meu tio. Só que agora a idosa é um empecilho.

E outra, aparentemente, eu não deixar ela me abraçar foi um baque tão forte na senhora que ela chorou até quase desfazer a cirurgia que ela tem no olho. Aparentemente foi tão sério que ela teve que tomar uma injeção tão cara quanto a cirurgia, se não ela poderia perder a visão.

Uma lição de moral? Consentimento é importante.

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Thanks for reading!

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